11.10.16

A Câmara de Pandora

«Para os surrealistas, a fotografia equivalia no plano do visual ao que a escrita automática representava para a poesia: a câmara fazia emergir o inconsciente escondido do olhar. Para o zen, todo o gesto artístico radicava no próprio ato de ver. Não se tratava tanto de "fazer" uma fotografia quanto de "captá-la": um fragmento da realidade era identificado por um instante do espírito, o acontecimento ficava colocado no meio da estética. O fotógrafo não era um caçador de imagens, mas um pescador de momentos: lançava o anzol à espera de que o tempo e a realidade mordessem.»

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