16.10.04

O virgem negra

dois poemas de Mário Cesariny incluidos no seu livro O Virgem Negra.

«Põe-me as mãos no sexo,
Beija-me na coxa,
Abre-me no plexo,
Uma ferida roxa.

Eu não sei porquê,
Meu dês d'onde venho,
Sou o ser que vê
Só o seu tamanho.

Põe a tua mão
Num laço sem fim,
E chega ao desvão,
Abre-o para mim.»

«É importante foder (ou não foder)?
É evidente que não, não é importante.
Fode quem fode & não fode quem não quer.
Com isso ninguém tem nada
Mas mesmo nada
A ver

O que um tanto me tolhe é não poder confiar
Numa coisa que estica e depois encolhe,
Uma coisa que é mole e se põe a endurar e
A dilatar a dilatar
Até não se poder nem deixar andar
Para depois se sumir
E dar vontade de rir e d'ir urinar.»