da rua chegavam ecos de uma festa. na tv, sem som, uma mulher sorria-lhe & prometia-lhe um sem número de acrobacias sexuais. serviu-se de mais café. sentou-se no sofá. acendeu um charuto. & festejou mais uma vitória.
foi sem vontade que cumpriu os seus deveres conjugais. abandonando-se ao sabor do corpo dela, sentiu-se navegar num sonho que não era dele, viu-se numa vida que não era sua, ocupando o espaço de alguém que não conhecia. quando regressou, sentia-se cansado. viajar cansava-o.
24.4.04
MicroConto
s/título 04
a flor murchou. o jardineiro abandonou-a à sua sorte e a flor não sabia viver sem os bons oficios dele. agora ele chora a morte da sua flor.
11.4.04
MicroConto
s/título 03
ela despiu-o. ela amarrou-o. sem questionar a sua vontade, ela sentou-se nele, encaminhou-o para dentro dela. usou-o, & foi-se embora.
ainda hoje ele anseia por a reencontrar.
7.4.04
MicroConto
s/título 02
"mãe, é aquele", disse ela.
NÂO. eu não sou aquele, eu sou o outro. o monstro que te acorda. o invisível. o inominável.
1.4.04
MicroConto
s/título 01
era uma vez um homem. um homem que assassinava. mas não era um assassino.
era um homem que assassinava as pessoas que habitavam em si.