18.11.04

Promiscuidade

segundo o dicionario on-line da Priberam, promiscuidade é «estado do que é promíscuo; mistura desordenada; confusão».

é essa a situação que se vive actualmente na relação entre o estado português & a igreja católica apostólica romana (vulgo ICAR) a pretexto de um projecto de copiar uma bíblia. embora o estado português afirme na sua constituição ser laico, os seus mais altos representantes foram todos copiar umas páginas da bíblia!

que porra!

ou como escreve Mariana Pereira da Costa:

«Creio que tal notícia não espanta ninguém dada a promiscuidade aberta que se vive entre algumas instâncias públicas e a Igreja Católica - especialmente desde o governo anterior - , numa clara violação da Constituição e de um corolário do princípio fundamental do Estado de Direito Democrático: o princípio da laicidade.
É revoltante.
Tenho dito.»

ou Carlos Esperança:

«A Sociedade Bíblica de Portugal tem um marketing agressivo cuja legitimidade se não contesta. Tentar atrair patrocinadores e figuras de destaque para a promoção do seu único produto - a Bíblia - é um direito que lhe assiste.
Há, todavia, dois aspectos que me repugnam:

- que o projecto tivesse sido declarado como sendo «de superior interesse cultural» pelo ministério da Cultura embora, neste caso, fosse uma forma de ter ficado a saber que o actual Governo tinha um ministério com esse nome;
- a presença do Presidente da República, bem como dos presidentes da A. R. e do Tribunal Constitucional constituem um lamentável patrocínio a uma actividade privada, com grave prejuízo da ética republicana e do princípio da separação das Igrejas e do Estado.

Quanto ao PR, por quem nutro grande estima pessoal, e sem quebra do respeito que lhe é devido, fico perplexo com a sua presença. Também não gostaria de o ver no lançamento de um projecto ateísta, igualmente respeitável, e muito mais adequado às suas convicções.
A vitória de Bush, que prometeu apelar à fé (espera-se que com entusiasmo equivalente ao de Bin Laden), vai contaminando o mundo onde a interferência das igrejas na política se manifesta cada dia mais perigosa.»