8.4.07

Epitáfio

Aqui jaz o fascínio da terra
E todas as ilusões de pedra encerradas
Para sempre nas profundezas gélidas
De um lago diáfano azul e cinza
Aqui onde a saudade persiste
Sucumbiram todas as esperanças perdidas
Não restou sequer um sopro de calor
Que resistisse ao vento menos sombrio
Aqui onde permanece deitada
Flutuando na claridade de um ardor perpétuo
Jaz nua longa silhueta de prata
Que abriga sob a pele a negar lua
Onde quer que ela esteja nesta hora
Estarei olhando solitário sempre por ela
E de todas essa dores a certeza: foi ela quem me deu tudo
Aonde irei sem ela.

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de: Pedro Tannus