16.1.08

Não digai... Dizei...

Não digais: «A minha cona.» Dizei: «O meu coração.»

Não digais: «Tenho vontade de foder.» Dizei: «Sinto-me nervosa.»

Não digais: «Vim-me como uma louca.» Dizei: «Sinto-me um pouco cansada.»

Não digais: «Vou masturbar-me.» Dizei: «Volto já.»

Não digais: «Quando eu tiver pintelhos no cu.» Dizei: «Quando eu for crescida.»

Não digais: «Gosto mais da língua do que da pissa.» Dizei: «Só gosto de prazeres delicados.»

Não digais: «Entre refeições só bebo esporra.» Dizei: «Tenho uma dieta especial.»

Não digais: «Os romances honestos chateiam-me.» Dizei: «Gostaria de algo interessante para ler.»

Não digais: «Ela vem-se como uma égua a mijar.» Dizei: «É uma exaltada.»

Não digais: «Quando se lhe mostra uma pissa, fica logo zangada.» Dizei «É uma original.»

Não digais: «É uma rapariga que se masturba até desfalecer.» Dizei: «É uma sentimental.»

Não digais: «É a maior puta da terra.» Dizei: «É a melhor menina do mundo.»

Não digais: «Vi-a foder pelos dois lados.» Dizei: «É uma ecléctica.»

Não digais: «Deixa-se enrabar por todos quanto lhe façam minete.» Dizei: «É um pouco namoradeira»

Não digais: «A pissa dele é grande demais para a minha boca.» Dizei: «Sinto-me uma criança, quando falo com ele.»

Não digais: «É uma fressureira endiabrada.» Dizei: «Não é nada namoradeira.»

Evitai comparações temerárias. Não digais: «Dura como uma pissa, redondo como um colhão, molhado como a minha racha, salgado como a esporra, não maior que o meu botãozinho», e outras expressões que não são admitidas pelo dicionário da Academia.



in: Manual de Civilidade para Meninas
trad.: Júlio Henriques