23.4.09

a morte, esse lugar-comum

é trivial a morte e há muito sabe
fazer -- e muito a tempo! -- o trivial.
se não fui eu quem veio no jornal,
foi uma tosse a menos na cidade...

a caminho do verme, uma beldade
-- não dirias assim, Gomes Leal? --
vai ser coberta pela mesma cal
que tapa a mais intensa fealdade.

um crocitar de corvo fica bem
neste anúncio de morte para alguém
que não vê n'alheia sorte a própria sorte...

mas por que não dizer, com maior nojo,
que um menino saiu do imenso bojo
de sua mãe, para esperar a morte?...



texto de Alexandre O'Neill.