há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas,que esperam por nós
e outras frágeis,que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens,palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição
entre nós e as palavras,surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor
e há palavras e nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis À boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além da azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita
entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar.