30.8.10

Frondosa, fogosa, folhosa, funde-se a fenda num desfolhar

Do ventre fumoso das rochas
Irradia toda a luz de um acordar.
Recortes ofuscos, mil tochas
Fulgirão ao nosso passar.
Por fundir assim o baixo fundo
Findarás por me fecundar
E fundir o meu teu profundo
Segundo a brisa que virá para ficar.

Tenho círculos de fuga
E rectângulos para forjar,
O meu triângulo é cor rubra
No teu quadrado de fabricar.
Frases, traços e compassos
Afrontarão com força o entronar.
Coroar somente a mente com passos
Que dizem quem neles está a andar.

Quando os fulgores do estio
Bravo nos vierem enfim chamar
Rasgaremos curvas no pousio
De que é feito esta terra à beira-mar.
Lânguidos, cobertos de seiva
E cal. As gerações vir-nos-ão saudar.
Calha o sol & infinito que nos enfeita.
Calhando, ainda haverá muito para contar…