23.2.11

Manifesto C

De manhã

quando acordei, procurei o teu corpo:
os lençóis estavam frios
os vincos tinham desaparecido nos dias
que escorriam em gotas de água nas janelas fechadas

tossi, precisava de cortar o silêncio,
saber que estava ali
prisioneira, como o ar pesado
que descia do tecto, sobre o candeeiro apagado

quando me levantei, não senti os meus pés
nos teus pés, não me mexi, não tropecei
nos novelos de pó que se acumulavam
sobre as tábuas do quarto

falei, baixo, muito baixo, alto
e o eco rodeou-me o peito, apertou-o
apertou-o forte, até que os ossos se partiram
e era finalmente a noite



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