as escadas são os pés que as pisam: todas as horas, todos os dias, todas as noites
e as folhas caem dos calendários suspensos nas paredes
os pés pisam os degraus, um a um, dois a dois, um saltinho e chega o fim, o fim no início
e o pó vai-se acumulando nos cantos de onde o gigante sorri
em silêncio, cruzamos as pedras de granito
enquanto os ombros se tocam e os olhos se fecham
enquanto os pés, cansados na sua passada, arrastam os corpos mirrados
as escadas são os pés que as pisam: todas as horas, todos os dias, todas as noites
e o lixo acumula-se, mas:
não são papeis
não são beatas de cigarros
não são pratas
não são pedras, areia e cinza
e o lixo vai-se acumulando
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