15.7.11

Polaroid 42

as tardes à beira-mar

a tarde pousou a sua cortina nos nossos olhos. abafado
nos nossos olhos fechados, sob o sol impiedoso
descubro o teu peito, move-se lentamente para deixar o ar ser
apenas uma réstia de vento que náufraga na tua pele

fechamos os olhos perante a tarde que se estende. abafado
pela areia suja, pelos gigantes dos rochedos que escondem o mar salobro
os primeiros passos de uma criança, os seus pés delicados no cimento rude:
pára, imóvel, silenciosa e aponta

a tarde cai aos nossos pés e um dedo de criança aponta o céu azul
o primeiro odor do sargaço a secar provoca-me náuseas
e um dedo de criança aponta o céu azul
digo. não, penso: descobriu a linha que nos separa



Im.Possibilidade