inúteis, presas nos seus velhos mastros, esfarrapadas
ouço o som de ondas, que se rebentam contra os rochedos
e todo o oceano é um banho de espuma amarelada
o frio faz-me voltar as costas e apertar o casaco
a língua de alcatrão estende-se sob os meus pés
frios e húmidos desta estação que me consome
ainda vejo um reflexo numa qualquer montra
e mal reconheço a minha face no vidro sujo de um prédio devoluto
sigo a estrada com o vento nas minhas costas
desconheço a sensação de fome, de sede
sei de cor o frio que me invade
e sigo, surda, muda e cega
não importa
a claridade do teu sorriso
o calor da tua boca
o sabor dos teus braços
a cor das palavras na tua voz
vasta é a estrada
imensos são os trilhos sinuosos
e com lama alagam-se as trincheiras
sete palmos de lama
Im.Possibilidade