8.3.12

purgatorium VI

E esta é que é a tal saída escondida? A libertação. anunciada nos livros proibidos das bibliotecas vazias?
De que adianta acreditar? Nos dias? Nas noites? No tempo? No amanhã? Não existem pás suficientemente grandes para carregar com tudo isto. Esta sujidade que se acumula aos nossos pés e nos faz tropeçar.
E agora somos o corpo debaixo do lençol.
Distantes estão os ruídos da infância, quase mudos: os testos, as panelas, as gavetas, a chuva que assustava. Os nossos risos. Nunca te perguntei se choravas? Nunca te vi chorar.
Tu choravas? [Tu fingias, eu finjo agora.]
O sabor exageradamente doce da cevada. O calor da água dentro da garrafa de vidro verde. A melhor sobremesa de sempre.
Não, não sou eu que estou deitada no asfalto. Não merecias que o fizesse, nunca. Eu estou aqui, apenas aqui, à espera.
Estou apenas aqui à espera, só não sei de quê.



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