De que adianta acreditar? Nos dias? Nas noites? No tempo? No amanhã? Não existem pás suficientemente grandes para carregar com tudo isto. Esta sujidade que se acumula aos nossos pés e nos faz tropeçar.
E agora somos o corpo debaixo do lençol.
Distantes estão os ruídos da infância, quase mudos: os testos, as panelas, as gavetas, a chuva que assustava. Os nossos risos. Nunca te perguntei se choravas? Nunca te vi chorar.
Tu choravas? [Tu fingias, eu finjo agora.]
O sabor exageradamente doce da cevada. O calor da água dentro da garrafa de vidro verde. A melhor sobremesa de sempre.
Não, não sou eu que estou deitada no asfalto. Não merecias que o fizesse, nunca. Eu estou aqui, apenas aqui, à espera.
Estou apenas aqui à espera, só não sei de quê.
Im.Possibilidade