12.3.12

purgatorium VII

Sonhei hoje que morria, mas não acordei. De verdade. O que me despertou do meu sono foi uma tosse violenta oriunda do centro do corpo.
Uma sensação de lâminas frias navegando na corrente sanguínea, que na sua passagem por veias e artérias [que sei eu de corpo humano?] as cortavam. Como se todo o meu sangue fosse fugir de mim, numa explosão pela boca.
Depois uma dor aguda sobre o peito, o estilhaçar das costelas, apenas visível pela deformação da pele. E o ar parecia que nunca tinha existido no quarto.
O barulho da tosse. O anunciar de uma qualquer doença fatal.
Não acordei quando sonhei que morria. Sempre estive preparada para morrer. O que eu não estou é preparada para viver.



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