31.3.12

purgatorium XII

O meu corpo minga debaixo da roupa, criando foles no pano desbotado e gasto. Desapareço no corpo que se arrasta, debaixo da pele seca e áspera, entre músculo e carne cansados.
Às tantas a minha morte pertence ao passado, inscrita nos anais malditos. No instante preciso, precioso, em que os relógios pararam de medo ante gritos estridentes de demónios contorcidos.
Afinal não serei eu uma carcaça condenada ao tempo líquido que se espalha, à procura de uns lábios que se beijem?
E as perguntas fazem-se, sem eco de resposta: a vida sangrada, amaldiçoada. [por mim]



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