12.11.12

esventrado XXI

amaldiçoo o dia que nasce
enchendo o tempo de luz
tocando de leve no rosto dos mortais iludidos

trilho a noite entre abismos
profundos que me crescem no peito
ouço os ecos roucos dos mortos

ateio fogo ao corpo
que sempre viveu viciado
pelo calor do inferno que ergueu

vejo-me arder
vejo-me ser cinzas
vejo-me obrigada a viver tudo de novo

todo este céu azul
causa-me náuseas
e o vomito cresce incontrolável



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