18.1.24

Eu Sou o Vento

«Eu Sou o Vento é  uma peça do autor norueguês Jon Fosse. (...) com a interpretação de Cláudio da Silva e Dinarte Branco e encenação de Pedro Marques.

É uma peça belíssima, onde o silêncio que se constrói à volta de duas personagens num barco no alto mar se torna viagem de conhecimento. Cem anos depois da ruptura naturalista de Ibsen e Strindberg é mais uma vez dos países nórdicos que vem uma das vozes mais distintas da dramaturgia contemporânea. Deixo-vos uma pequena declaração de uma entrevista com o autor que foi publicada na Revista Artistas Unidos, nº 13.

"Na Hungria, disseram-me muitas vezes, dizem que quando uma noite no teatro é boa, um anjo passa pelo palco, uma vez, duas vezes, várias vezes. E, para mim, esse momento é a essência do teatro: o teatro é o momento em que um anjo passa pelo palco. O que é que acontece nesses momentos? Claro que não sei, ninguém sabe, porque ou acontece ou não; numa noite acontece num dado momento da peça, noutra noite num outro momento.
Para mim, estes momentos intensos e cristalinos, apesar de inexplicáveis, são momentos de compreensão: são momentos em que as pessoas que estão presentes, os actores, o público, experimentam juntos algo que os faz compreender alguma coisa que até aí nunca tinham compreendido, pelo menos não como até aí o tinham compreendido. Mas esta compreensão não é unicamente intelectual; é uma espécie de compreensão emocional que, como eu disse, é principalmente inexplicável, pelo menos intelectualmente. Provavelmente não pode ser explicada, só pode ser mostrada e compreendida através de emoções."»
 

adaptação de um texto de Pedro Marques