texto encontrado aqui.
E que "Viva la Muerte!", disseram eles
«Sangue, corpos mutilados, explosão da barbárie. Há décadas, quando a besta de guerra fascista esmagou o povo espanhol na guerra civil de 1936-1939, uma expressão apenas haveria de celebrar toda a infâmia, todo o horror, todo o luto inesperado e implacável: "Viva la Muerte!", grotesco e definitivo. Foi esse "Viva la Muerte!" que bombardeou a Guernica republicana: a morte como festa. Desde então, "Viva la Muerte!" transformou-se na divisa dos canalhas. Daqueles que, por demasiadas vezes, celebraram a bestialidade como orgulho contra-civilizacional: nos fornos crematórios do III Reich, no napalm norte-americano sobre as selvas do Vietname, no Ruanda, em Hiroshima e Nagasáqui, no assalto de Kissinger e Pinochet ao Chile de Allende, nos aviões lançados como munições de caça contra as Twin Towers de Nova Iorque.
Mas também nas bombas ocidentais sobre Bagdad, nos tanques israelitas em solo palestiniano, na carnificina de Ariel Sharon em Sabra e Chatila, na guerra como continuação da política, no terror pelo terror, no sangue pelo sangue. Sem excepção, um eco rude e inconfundível de "Viva la Muerte!". Sempre essa celebração da monstruosidade humana, quando algo de essencial e necessário é violentamente usurpado: sem pré-aviso e sem retorno. Foi este grito, tragicamente familiar, fatalmente claro, que soou em Madrid. Um "Viva la Muerte!" partilhado também por uma direita canalha e imoral que explora os cadáveres como munição política de legitimação ou ofensa. O "Viva la Muerte!" como paroxismo daqueles que sentirão o sabor do sangue seco dos mortos quando a poeira das bombas assentar em Madrid. Apenas e só até ao "Viva la Muerte!" que se segue.»