24.11.10

a criança que ri na rua

a criança que ri na rua,
a música que vem no acaso,
a tela absurda, a estátua nua,
a bondade que não tem prazo -

tudo isso excede este rigor
que o raciocínio dá a tudo,
e tem qualquer cousa de amor,
ainda que o amor seja mudo



de Fernando Pessoa